Rota do Românico

Percurso Vale do Douro

Este mês descubra…

A Rota do Românico- Percurso “Vale do Douro”

Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios

Marmoiral de Sobrado

Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão

Igreja de Santa Maria Maior de Tarouquela

Igreja de São Cristóvão de Nogueira

Ponte da Panchorra

Mosteiro de Santa Maria de Cárquere

Igreja de São Martinho de Mouros

Igreja de Santa Maria de Barrô

Igreja de São Tiago de Valadares

Ponte de Esmoriz

Mosteiro de Santo André de Ancede

Capela da Senhora da Livração de Fandinhães

Memorial de Alpendorada

A Rota do Românico é um dos projectos mais interessantes e completos que existem em Portugal. Podemos afirmá-lo, sem dúvidas, depois de percorrer os seus caminhos, visitar os 58 monumentos e, sobretudo, falar com a equipa que todos os dias se dedica a preservar a nossa história.

Agora voltamos para visitar o vale do Douro e os seus catorze monumentos. Passamos por entre as vinhas, subimos serras e descemos até junto do rio. Conhecemos igrejas, capelas, memoriais, pontes e mosteiros, descobrimos os seus segredos e deixamo-nos encantar por paisagens de tirar o fôlego.
Nunca é demais voltar a agradecer a amabilidade da equipa da Rota do Românico. Os seus esforços homéricos voltaram a dar vida a um pedaço de história que de outro modo poderia cair em esquecimento.
Visitar esta região apaixonante, não custa nada, é só preciso curiosidade. Descubra connosco o terceiro percurso da Rota Românico o do Vale do Douro!

Para seguir o nosso roteiro passo a passo, subscreva a nossa newsletter.

Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios

A Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios encontra-se na margem direita do rio Tâmega, perfeitamente enquadrada com a vegetação envolvente, num território importante na época da Reconquista.
Este monumento é um exemplo do “Românico de Resistência” mesmo tendo sofrido uma reforma provavelmente no século XIV.
O portal principal já não apresenta colunas nem tímpano e o arco é quebrado. É curioso o facto do portal norte ser mais ornamentado que o portal principal. Este apresenta uma arquivolta decorada com motivos em ponta de diamante e folhas de oito pétalas.
Toda a igreja é construída em blocos de granito, contudo, não são visíveis nenhumas marcas de canteiro. A excepção é uma sigla encontrada num dos blocos da fachada principal.
Quando entrámos, o nosso olhar foi imediatamente orientado para o teto coberto de madeira. Lá à frente o arco cruzeiro é quebrado, assente em impostas, sem colunas e decorado com elementos vegetalistas.
O altar-mor é preenchido pelo retábulo em talha dourada resplandecente. A igreja sofreu uma profunda intervenção durante a época moderna, mas ainda subsiste, da era medieval, um arcossólio que abrigava um túmulo.
Saímos novamente para o sol matinal sem sabermos a paisagem que iriamos encontrar um pouco mais à frente…


Informações úteis
Morada: Lugar de Entre-os-Rios, Eja, Penafiel
GPS: 41° 5′ 0.12″ N / 8° 17′ 57.94″ O
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt 
Website: www.rotadoromanico.com

 

 

Marmoiral de Sobrado

O Marmoiral de Sobrado, também conhecido como Marmoiral da Boavista, está localizado às portas de Castelo de Paiva num local recuperado pela Rota do Românico para devolver o monumento à população.

Ao contrário dos outros memoriais, o Marmoiral de Sobrado não apresenta arco. Apresenta sim, duas cruzes latinas gravadas em cada cabeceira e duas lajes horizontais. A superior mostra uma cruz no interior de um triângulo e a inferior apresenta uma espada e uma cruz grega.

Este memorial poderá estar ligado à passagem do cortejo fúnebre de D. Mafalda, filha de D. Sancho I, que se dirigia para o mosteiro de Arouca, mas está igualmente presente em várias lendas locais. O que é que Santo António tem a ver com Castelo de Paiva? Procure nas nossas curiosidades. (aqui)


Informações úteis:
Morada: Lugar da Meia Laranja, Sobrado, Castelo de Paiva
GPS: 41° 2′ 34.00″ N / 8° 16′ 12.29″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt 
Website: www.rotadoromanico.com

Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão

Quando chegámos, o pavimento junto da Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão estava a receber os retoques finais. Numa das laterais encontrámos o cemitério da localidade com vista privilegiada para o rio.

Esta igreja, localizada na confluência dos rios Paiva e Douro apresenta um carácter tardio visto os portais não possuírem colunas nem tímpano e as arquivoltas assentarem directamente nos pés direitos dos muros. O que chama realmente a atenção é a janela com traços do gótico manuelino, na capela-mor, e a rosácea por cima do arco triunfal.

Apesar do carácter tardio, continuamos a ver o tema das pérolas, tão significativo na época românica.

Lá dentro resta o granito. O mobiliário litúrgico já é dos tempos modernos e mesmo a pintura mural do século XVI só subsistiu até ao início do século XX.


Informações úteis:
Morada: Rua de São Miguel, Escamarão, Souselo, Cinfães
GPS: 41° 3′ 57.66″ N / 8° 15′ 25.45″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

Igreja de Santa Maria Maior de Tarouquela

Foi um dos primeiros mosteiros femininos da ordem de São Bento a sul do Douro apesar das monjas inicialmente seguirem a regra de Santo Agostinho e só depois, com D. Urraca, filha de Egas Moniz de Ortigosa, se alterou o hábito e as monjas passaram para a ordem Beneditina.
A sua origem remonta a meados do século XII estando associada a Ramiro Gonçalves e à sua esposa D. Ouruana Nunes que edificaram um mosteiro nas terras que adquiriram a Egas Moniz e sua mulher.
Foi gerido por abadessas até à passagem das monjas para o mosteiro de São Bento de Avé-Maria (Porto). A última abadessa de Tarouquela (e a primeira de São Bento) foi D. Maria de Melo, proveniente do mosteiro de Arouca.
Em termos arquitetónicos e ornamentais este edifício é muito rico. Assim que nos aproximamos do portal principal, saltam à vista os dois animais que ladeiam a porta. São os denominados “cães de Tarouquela”. De facto, não se sabe muito bem se serão mesmo cães, mas terão um carácter protector para repulsa do mal. No tímpano vê-se outro elemento curioso: a flor-de-lis, um símbolo mariano.
O interior não desilude. Um par de janelas por cima do arco triunfal faz-nos chegar a luz aos olhos. O arco está decorado com aquilo a que se chama de beak-heads, cabeças de animais que nos fazem lembrar lobos ou figuras demoníacas.
A capela-mor apresenta frestas enaltecidas por colunas e arcos decorados. O branco predomina e transmite uma sensação de paz, até pelo retábulo-mor, alvo e grandioso. A excepção é a pintura do teto que promete um céu azul.
Somos encaminhados para a sacristia, onde foi a capela funerária de São João Batista. Aí pode-se contemplar melhor a beleza da fresta românica, do friso logo abaixo e dos pormenores nos cachorros. É aqui que permanece uma das figuras mais bizarras que encontrámos. Um dos cachorros da abside representa o tema do exibicionista em que um homem, acocorado, segura os seus órgãos genitais. Lá fora, no alçado oposto há uma representação feminina com o sexo evidenciado. Não nos esqueçamos que a decoração pode ter uma função de educar os fiéis e afugentá-los do perigo do pecado.


Informações úteis:
Morada: Lugar do Mosteiro, Tarouquela, Cinfães
GPS: 41° 4′ 10.83″ N / 8° 11′ 16.55″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt 
Website: www.rotadoromanico.com

Igreja de São Cristóvão de Nogueira

Com a fachada voltada para o vale do Douro, a Igreja de São Cristóvão de Nogueira foi profundamente alterada na época moderna com a reconstrução da capela-mor nos finais do século XVIII. Os janelões foram, igualmente, acrescentados em intervenções posteriores.

Mesmo assim, a igreja apresenta características do Românico de Resistência. A sua edificação aponta para a transição do século XII para o século XIII. O portal principal não tem colunas, mas as arquivoltas são ornamentadas com o tema das pérolas, bastante comum nesta região.

São curiosos os motivos esculpidos no portal sul: duas mãos cerradas colocadas sobre ambas as impostas que seguram um objecto que parece ser uma chave.

Surge também um friso com palmetas bracarenses na lateral do edifício, que sugere ter sido um reaproveitamento de um edifício anterior.

Os cachorros são surpreendentemente bem esculpidos e resistiram heroicamente à passagem do tempo. Vê-se perfeitamente um homem a beber de uma cabaça, cabeças de animais e cabeças de homens de cabelos encaracolados, mas o ex-libris deste templo é o cachorro que mostra duas figuras humanas abraçadas, conhecido como “os enamorados”.

O interior é uma explosão de talha dourada de estilos mais recentes, como o estilo nacional nos retábulos colaterais e o barroco joanino no retábulo mor. No tecto da nave 57 painéis criaram um brilhante santoral: santos e santas ligados à Reforma Católica, bispos, apóstolos e mártires e os intercessores bem conhecidos do devocionário popular.


Informações úteis:
Morada: Av. Dr. Reinaldo Flórido Calheiros, São Cristóvão de Nogueira, Cinfães.
GPS: 41° 4′ 24.69″ N / 8° 7′ 44.53″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

Ponte da Panchorra

A Ponte da Panchorra está enquadrada num daqueles locais idílicos em que não é preciso mexer.

Para lá chegarmos atravessámos a serra por entre os moinhos eólicos num daqueles trajectos que desejamos guardar na memória para sempre.

Aqui perto nasce o rio Cabrum que se estende ao longo de 10 kms até desaguar no Douro. Tivemos sorte pois choveu há pouco tempo e o caudal ainda se fazia ouvir. No verão, o rio pode secar, mas no inverno é certa a sua presença, assim como, da neve.

A ponte tem dois arcos com silhares regulares contrariamente à restante estrutura. Serviu o propósito único de travessia do rio Cabrum por parte dos pastores, carroças e população local e nunca teve a intenção de ser uma obra monumental.

Hoje em dia, corre, paralelo ao rio, um caminho que pode ser percorrido a pé ou de bicicleta. É, sem dúvida, um dos locais onde apetece permanecer mais tempo em pura contemplação.


Informações úteis:
Morada: Rua da Ponte da Panchorra, Panchorra, Resende
GPS: 41° 0′ 50.33″ N / 7° 58′ 30.27″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt 
Website: www.rotadoromanico.com

 

Mosteiro de Santa Maria de Cárquere

O Mosteiro de Santa Maria de Cárquere está ligado aos primeiros anos da nacionalidade. A lenda diz que aqui foi o local onde o Infante Afonso Henriques (posteriormente o primeiro rei de Portugal) foi curado pela Virgem Maria após o aio Egas Moniz o ter colocado sobre o altar. Mais tarde constituiu o panteão da poderosa família dos Resendes, até ao século XV.
Do românico restou a fresta da capela linhagista dos Resendes e a torre que estaria separada do edifício principal, mas que, em intervenções posteriores, acabou por ser anexada. Numa das arquivoltas do exterior da fresta surgem as beak-heads.
No interior, pouco resta do românico tendo sido substituído, ao longo do tempo, por estilos mais modernos como o manuelino e o barroco. Os retábulos contíguos ao arco triunfal têm uma característica engenhosa. Foram acrescentados calhas onde podem deslizar acabando por “fechar” a entrada para a capela-mor. Mas por uma boa razão. Por detrás dos retábulos estão ocultas duas pinturas murais. No lado direito, uma representação de Santo António e Santa Luzia e, no lado esquerdo, um conjunto de anjos.
O Mosteiro de Santa Maria de Cárquere é também famoso pelas imagens da Virgem Maria já que este é um santuário mariano. Uma está perfeitamente visível no retábulo do lado esquerdo. Trata-se da Senhora Branca ou Virgem do Leite, uma vez que é feita de calcário e, segundo a lenda, providencia leite materno às mães que não o têm. A segunda Virgem, a de Cárquere, está protegida num cofre fora do mosteiro. É uma imagem com 2,9 centímetros de altura, feita de marfim, cuja origem não é consensual. A imagem mostra a Virgem Maria sentada, com o filho nos braços.
E a lenda da cura do primeiro Rei de Portugal é verdadeira? Isso nós não sabemos. Mas tivemos o privilégio de descobrir onde está escondido o antigo altar do mosteiro. Magnífico.


Informações úteis:
Morada: Rua do Mosteiro, Cárquere, Resende
GPS: 41° 5′ 14.28″ N / 7° 57′ 28.84″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

Igreja de São Martinho de Mouros

Uma arquitetura bastante diferente de todas as outras igrejas. O aspecto militar transmite uma sensação de intransponibilidade e de segurança.

Na parte superior, uma cornija apoia-se sobre uma banda lombarda, motivo muito utilizado no românico das bacias do Sousa e do Tâmega, cujos arquinhos são sustentados por cachorros com formas de animais.

Na fachada/torre, que ocupa toda a largura da igreja, encontramos o portal principal que apresenta arquivoltas apoiadas em capitéis com temas animais e vegetais. Pode ser visto, também, um friso enxaquetado.

Na face exterior da capela-mor existe a inscrição “1217”, prova de que esta igreja foi edificada num período tardio, já em pleno século XIII.

No interior, os silhares em granito são lisos e desprovidos de cor. Três estreitas naves coroadas por abóbadas, apoiadas em dois altos e robustos pilares quadrangulares, marcam o primeiro quarto da igreja. Por cima do arco triunfal, um óculo compete com a fresta por trás de nós na dádiva de luz para a nave.

Na capela-mor, o retábulo principal já é de estilo barroco nacional. Destaca-se o trono eucarístico, dominado por uma representação da Ascensão de Cristo. No teto, vários caixotões contam cenas da vida de santos em pinturas magníficas.

Voltamos para o exterior, mas antes de partirmos para o próximo destino, matamos a sede na fonte de pedra que se encontra do lado sul da igreja.


Informações úteis:
Morada: Lugar de Sub-Adro, São Martinho de Mouros, Resende
GPS: 41° 6′ 6.90″ N / 7° 53′ 54.92″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

Igreja de Santa Maria de Barrô

A Igreja de Santa Maria de Barrô está virada para o rio Douro, na sua margem esquerda. Está enquadrada num cenário magnífico, com vinhas e casario disperso à sua volta. À tarde, o sol bate na sua fachada dando-lhe um tom alaranjado.
Trata-se de um edifício românico tardio que remonta ao século XIII. As arquivoltas do portal principal já são quebradas, apesar de as arquivoltas que enquadram a rosácea serem de volta perfeita. Digno de nota é o tímpano do portal que apresenta uma cruz vazada muito ornamentada.
No interior da igreja impera o granito. Às cabeceiras românicas, intimistas, mais baixas e estreitas do que a nave, criadoras de espaços de recolhimento, sucedem-se as amplas e iluminadas cabeceiras góticas, abertas aos fiéis.
Digno de destaque, na capela-mor, é o conjunto escultórico do Calvário, de excêntricas dimensões, constituído por Cristo cruxificado, a Virgem e São João Evangelista.


Informações úteis:
Morada: Rua de Santa Maria de Barrô, Barrô, Resende
GPS: 41° 7′ 44.39″ N / 7° 52′ 57.40″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

Igreja de São Tiago de Valadares

A Igreja de São Tiago de Valadares é um bom exemplo de um edifício do Românico de Resistência, marcado pelas adversidades da Idade Média: poucos recursos, distante dos principais centros, interferências senhoriais e eclesiásticas, etc.
A arquivolta no portal principal está inscrita no muro da fachada apresentando o motivo das pérolas. No cimo, perto do telhado, duas gravuras rasgadas na pedra mostram representações de animais em cada um dos lados.
No interior salta à vista o teto branco com uma representação de São Tiago “mata-mouros”, emoldurado a toda a volta em tons de vermelho, azul e cobre. Percebe-se a intervenção posterior que a igreja recebeu através da abertura de janelões para deixar entrar mais luz para a nave.
A capela-mor é preenchida pelo retábulo-mor, mais recente e por caixotões no teto. Mas o melhor estava ainda por vir. Abrindo uma porta no retábulo-mor, passamos para trás deste e descobrimos um espantoso conjunto de pinturas murais. Estas mostram cenas divididas por diversos painéis: Santa Catarina de Alexandria, a Lamentação sobre Cristo Morto, São Tiago, Santa Bárbara e São Paulo. Na parede norte, um conjunto de animais fantásticos fazem-nos lembrar o Inferno e os seus demónios.
As igrejas românicas têm esta particularidade: o seu aspeto exterior pode ser austero, frio e granítico mas o seu interior esconde, não raras vezes, uma riqueza estonteante.


Informações úteis:
Morada: Lugar da Igreja, Valadares, Baião
GPS: 41° 8′ 40.24″ N / 7° 58′ 58.61″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

 

Ponte de Esmoriz

A Ponte de Esmoriz fica sobre o rio Ovil, rodeada por terras de cultivo.

Para a alcançar tem que se andar um pouco por um caminho de pedra ladeado por muros altos, mas não nos queixamos. Nesta região é bom caminhar e sentir o ar fresco da natureza.

Apesar de pertencer à Rota do Românico, esta ponte foi possivelmente construída entre os séculos XV e XVII, talvez substituindo uma antiga edificação medieval. Apresenta um arco de volta perfeita, tabuleiro ligeiramente levantado com guardas, mas sem talha-mares ou contrafortes.

Ao contrário do que se pensa, nem sempre as pontes pétreas assinalavam local de muito trânsito ou percurso nacional, por onde caminhavam peregrinos em demanda dos grandes santuários medievais. Mais prosaica, a realidade local faz-se de necessidades do quotidiano, como assegurar a boa passagem dos gados aos pastos.


Informações úteis:
Morada: Caminho da Ponte de Esmoriz, Ancede, Baião
GPS: 41° 6′ 46.46″ N / 8° 3′ 48.14″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

 

 

 

 

 

Mosteiro de Santo André de Ancede

O Mosteiro de Santo André de Ancede foi a cabeça de um extenso património religioso e também económico. Os monges souberam tirar partido da sua posição estratégica junto ao Douro, da exploração dos recursos naturais, do manejamento de técnicas para criar um importante entreposto comercial centrado na produção e exportação de vinho e na administração das rendas que advinham das inúmeras propriedades.
Chegamos aos pés daquilo que foi um complexo monástico grandioso, com múltiplos edifícios e terras de cultivo. Agora, denota-se as ruínas do que foi outrora.
Do românico subsistiu pouco. O elemento mais visível é a rosácea na parede fundeira da capela-mor. Também são da época românica os paramentos nos alçados norte e sul da cabeceira, testemunhos do que terá sido a igreja românica até à chegada dos dominicanos, que destruíram a igreja em 1559, sobrando apenas a cabeceira.
Lá dentro sobressai o conjunto azulejar em azul, o teto escuro e os relicários, especialmente a cabeça santa de Ancede. Trata-se de um invólucro de prata, sem lavores, que guarda parte de um crânio humano, supostamente pertencente a um antigo cónego regrante de Ermelo que, antes e depois de morrer, aparentemente curava a raiva. Era venerado num dos altares colaterais da igreja onde, no dia 1 de maio, acorriam os populares da região em busca de cura ou alívio.
Percorremos agora o vasto adro da igreja em direcção a um pequeno edifício de aspecto arredondado. Trata-se da Capela do Senhor do Bom Despacho. Este templo construído em 1731 é um magnífico exemplo do barroco. O espaço tem um formato octogonal e assim que entramos parece que somos imersos num teatro. A nave tem seis retábulos, como se fossem pequenos palcos onde se passam cenas da vida de Jesus Cristo desde a Anunciação até à Apresentação no Templo. À frente fica o retábulo maior com imagética da Paixão de Cristo, Mistérios Gloriosos e Dolorosos que culminam com a Assunção e a Coroação da Virgem. Destaca-se um Cristo jacente, na caixa central ao nível térreo, feito em argila policromada.
Antes de seguir caminho não pode deixar de visitar as ruínas ao lado da igreja, o Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho onde poderá conhecer os antigos celeiros, adegas, lagares e a quinta. Veja também as exposições que lá estão. Aproveite para se sentar num dos cadeirões enquanto prova um saboroso licor de cereja feito na quinta do mosteiro. Imperdível.


Informações úteis:
Morada: Lugar do Mosteiro, Ancede, Baião
GPS: 41° 6′ 7.26″ N / 8° 3′ 25.05″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

 

 

Capela da Senhora da Livração de Fandinhães

A Rota do Românico tem destas coisas. Quase no final desta viagem e ainda tem a capacidade de nos surpreender. Paramos a 500 metros de altitude, com vista para a serra e para o vale junto do que parecem ser as ruínas de uma igreja.

Na verdade, ainda não se sabe ao certo o que aconteceu à Capela da Senhora da Livração de Fandinhães. Estudos e escavações arqueológicas no local tentam chegar à conclusão se a nave deste templo foi demolida (se assim é, foi seguramente antes de 1758) ou se a nave nunca chegou a ser concluída. É um enigma que está à espera de ser desvendado.

Com o passar dos anos, a capela já viu o culto a São Martinho, seguido pelo culto a São Brás e depois pela invocação Mariana. Agora, apenas vemos o portal principal colocado onde terá sido o arco triunfal.

No chão, em frente à porta, repousam duas lajes. A de maiores dimensões tem gravada uma espada e a outra, mais pequena, foi desenhada uma simples cruz.

Nos capitéis estão esculpidas figuras atlantes de arestas que se apoiam em folhas salientes. Estão também presentes as famigeradas beak-heads a ornamentar as aduelas da fresta sul.

Lá dentro encontra-se apenas um retábulo em estilo barroco nacional que detém a imagem da padroeira atual, assim como, a dos seus antecessores.

Aproveite para se deliciar com a vista e tirar umas fotografias para a posteridade. Vale a pena…


Informações úteis:
Morada: Rua da Nossa Senhora da Livração, Paços de Gaiolo, Marco de Canaveses
GPS: 41° 6′ 22.95″ N / 8° 7′ 45.93″ O 
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

Memorial de Alpendorada

O Memorial de Alpendorada confunde-se com o meio envolvente. Felizmente, a Rota do Românico está atenta a esse tipo de condicionantes e sinaliza o monumento da melhor forma possível.

Este encontra-se perto do cruzamento das estradas nacionais 210 e 108, numa área habitacional. Não é o local original visto estes memoriais serem normalmente construídos em locais mais isolados, embora junto a caminhos importantes. A sua transladação foi feita durante a década de 1970.

Este monumento foi edificado em granito, mostrando uma estrutura que se aproxima do da Ermida, em Penafiel. É constituído por uma base com duas fiadas bem aparelhadas, a que se sobrepõe um arco de volta perfeita, composto por dez aduelas lisas.

Na laje paralelepipédica está gravada uma longa espada pelo que se pensa que poderá ser um memorial de um nobre ou cavaleiro.


Informações úteis:
Morada: Rua do Memorial, Alpendorada e Matos, Marco de Canaveses
GPS: 41° 5′ 20.05″ N / 8° 14′ 49.71″ O
Marcação de Visitas: rotadoromanico@valsousa.pt
Website: www.rotadoromanico.com

 

 

 

 

 

 

Pin It on Pinterest

Share This
€0.000 items