A história de Pedro & Inês

Era uma vez, porque todas as histórias de amor começam por “era uma vez”… D. Pedro I, infante de Portugal, filho do rei D. Afonso IV e de D. Beatriz de Castela.

Após uma tentativa de casamento falhada com a princesa D. Branca, por essa se mostrar enfermiça, o Rei escolhe outra pretendente para o filho, a D. Constança Manoel, filha do fidalgo D. João Manoel, cronista e poeta, senhor de várias vilas e castelos, descendente dos reis de Castela, Leão e Aragão. O casamento realiza-se por procuração em 1936 e D. Constança chega a Évora, em 1340, na companhia de homens de armas e das suas aias entre as quais D. Inês de Castro.

Este enlace, político, não foi do agrado do Infante D. Pedro mantendo-se após o casamento afastado da esposa. Todavia D. Pedro cedo se apaixona pela Dama de companhia da sua esposa. A bela Inês é de linhagem fidalga, filha bastarda de D. Pedro de Castro de Galiza e bisneta do rei D. Sancho IV de Castela. É assim prima de D. Pedro. Diz-se que Inês é loura, de cabeleira abundante, extremamente elegante, de tronco roliço e torneado que lhe valeu o apelido de “Colo de Garça”. D. Pedro, mal a viu, ficou logo estontecido de paixão, paixão essa, que foi recíproca.

O caso amoroso foi rapidamente tornado público e D. Constança numa tentativa de lhe por termo convida D. Inês a ser madrinha do filho que tinha então no ventre, pois aquele parentesco espiritual tornaria a relação incestuosa aos olhos de Deus.

No entanto, isso não travou de nenhuma maneira D. Pedro pois nada o podia separar da sua amada. Este romance era muito mal visto pelo Rei D. Afonso IV, não só por motivos diplomáticos, mas igualmente, devida à assumida amizade entre D. Pedro e os ambiciosos irmãos de D. Inês, Álvaro Peres de Castro e Fernando de Castro. Estes, com fortes pretensões ao poder, conseguiram que D. Pedro se declarasse pretendente ao trono de Leão e Castela, o que desagradou fortemente D. Afonso IV que queria manter Portugal neutro e independente.

O rei D. Afonso IV manda assim expulsar, em 1344, D. Inês da corte e forçou-a a sair do país. Refugia-se então no Castelo de Albuquerque perto da fronteira portuguesa, no Castelo de D. Afonso Sanches, irmão bastardo de D. Afonso IV o que o rei viu como mais uma ofensa.

No entanto, os dois amantes apesar da distância continuaram a corresponderem-se secretamente e a amarem-se.


Em 1354, D. Constança morre no parto ao dar a luz o seu terceiro filho, o futuro rei D. Fernando. D. Pedro viu-se então liberto do peso do casamento e mandou regressar a sua amada.

Traz assim D. Inês para as terras da Lourinhã. Instala-a numa quinta em Moledo, nas proximidades da Serra d´el Rei (a qual deve o nome a D. Pedro que costumava caçar nessas terras), onde viveram momentos felizes. Aí tiveram 3 filhos, D. Afonso, D. João e D. Dinis. Porém, o povo não via com bons olhos aquela relação. A situação agudizou-se com o aparecimento da peste que o povo atribuiu a um “mau-olhado” e deitaram as culpas à pobre Inês. O reino, então próspero, começa a empobrecer. Os campos, outrora férteis, são agora abandonados e as populações fogem deste temível augúrio.

A visitar… Em Moledo teria existido o Palácio da Caça, do qual só resta atualmente um muro e um poço. No entanto, a população quis manter viva a passagem dos dois amantes por esta localidade e podemos encontrar na aldeia diversas estátuas alusivas aos amores de Pedro & Inês.

Assim, D. Pedro resolve partir com D. Inês e instalam-se na Quinta do Canidelo, na atual Vila Nova de Gaia. Doou-lhe o padroado da Igreja de S. André da Canidelo e instala-a com todas as honras e comodidades. Aí nasce uma filha em 1353, D. Beatriz.

A visitar… Na antiga Quinta do Canidelo existe agora uma casa do século XVIII, mas conserva grande parte dos terrenos primitivos. Nestes funciona atualmente uma exploração agrícola dedicada a produção de ervas aromáticas biológicas “O Cantinho das Aromáticas” de onde provem o chá da nossa Box Pedro e Inês. A Quinta pode ser visitada de segunda a sexta, das 09h00 às 18h00. Aos sábados, das 09h30 às 12h30 das 14h30 às 18h00 horas.

Passado uns anos, mudam-se os dois amantes para Coimbra, numa quinta nas proximidades do Mosteiro de Santa Clara. Esta proximidade era muito mal vista pelo povo que não apreciava que aqueles amores adúlteros se dessem tão junto do Convento de Santa Clara, onde a bondosa rainha D. Isabel de Aragão viveu e se tornara santa.

Ao mesmo tempo, Afonso IV via com apreensão a existência dos bastardos de D. Pedro, que considerava de mau prenúncio para a independência do país. Os conselheiros Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco temem que os ambiciosos irmãos da galega possam atentar à vida do Infante D. Fernando, o legítimo herdeiro ao trono, caso D. Inês se torne um dia rainha. Pressionam o rei no sentido de afastar essa ameaça terminando com a vida da dama galega.

A visitar… A primeira referência à Quinta das Lagrimas remonta a 1326, no ano em que a Rainha Santa Isabel mandou fazer um canal para transportar as águas das fontes até ao Convento de Santa Clara. A fonte donde saí a água é hoje chamada de “Fontes dos Amores”, por ter sido o cenário dos amores de D. Pedro e D. Inês. A outra fonte da Quinta foi batizada pelo poeta Luís de Camões em “Os Lusíadas” como “Fonte das Lágrimas”, por ter nascido das lagrimas de Inês ao ser assassinada. No fundo da fonte existem umas peculiares algas vermelhas que dão uma tonalidade de sangue às rochas. A tradição popular designa esse local como o sítio onde foi assassinada a bela Inês e o seu sangue manteve-se preso às rochas ainda rubras após seis séculos… 
“As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores”
Os Lusíadas, canto III.

A visitar… As fontes estão rodeados por um Jardim Medieval, desenhado pela Arq. Paisagística Cristina Castel- Branco em 2006, que recriou um jardim com vegetação dos tempos de Pedro e Inês permitindo ao visitante uma viagem no tempo. O Jardim Romântico foi construído em 1850, é um local mágico com espécies raras e exóticas que o micro-clima da Quinta transformou em árvores magníficas de porte gigante. De destacar, duas Sequoias Gigantes – Wellingtonias- plantadas pelo Duque de Wellington e um surpreendente bambuzal.

Horário: Verão (16 Mar. a 15 Out) – de 3ª feira a Domingo das 10h às 19h; Inverno (16 Out. a 15 Mar) – de 3ª feira a Domingo das 10h às 17h

Bilhetes:  Oferta de Bilhete simples na Box de Fevereiro Pedro & Inês • Bilhete Simples: 2,50€ • Bilhete Especial (< 15 e > 65 anos): 1€ • Bilhete de Família (4 pessoas): 5€ • Visita ao jardim japonês e chá (15h às 18h): 5€ • Hóspedes: grátis; Telefone: 918 108 232


Assim, a 6 de Janeiro de 1355, Inês é condenada à morte num julgamento sumário no Castelo de Montemor-o-Velho. No dia seguinte, D. Afonso IV mete-se a caminho de Coimbra, acompanhado dos seus conselheiros armados.

Reza a lenda que nessa mesma manhã algo de estranho se passara. D. Pedro tinha planeado partir para caçar. Quando ele e os seus homens se preparavam para sair, um velho cão negro de aspeto feroz destacou-se da matilha e enfurecido sem qualquer motivo aparente corre em direção a Inês pronto a atacar. D Pedro avança então para proteger a amada e de um único golpe degola a fera que vai cair aos pés de Inês, salpicando-lhe o vestido de sangue.

Este prenúncio de morte gelou o sangue à audiência, mas D. Pedro decide partir na mesma para a caçada planeada.

Inês ficou então só e um grande temor a inundou… e eis que o rei D. Afonso IV e os seus conselheiros entram no paço e apesar das súplicas e do choro dos seus filhos degolam a bela Inês.

Após o assassínio D. Inês é sepultada na Igreja de Santa Clara a 7 de Janeiro de 1355.

A visitar… O Castelo de Montemor-o-Velho é a maior fortificação do rio Mondego e uma das mais importantes do país tendo desempenhado um papel fundamental para a consolidação da independência do que é hoje Portugal. De cima das suas muralhas temos uma vista deslumbrante sobre as planícies e arrozais do Mondego. No seu interior, encontramos as ruínas da Capela de São João e do Paço das Infantes, a Igreja de Santa Maria da Alcáçova datada de 1090, e a Torre do Relógio da Vila, construída em 1877.

Horário:  Todos os dias das 10h00 às 17h00 (horário de inverno); Todos os dias das 10h00 às 20h00 (horário de verão).

Telefone: 239 687 316

Entrada Gratuita.


O assassínio de D. Inês teve um efeito violento em D. Pedro que levantou um exército contra o rei seu pai e inicia-se uma guerra civil. Quanto ao rei Afonso IV marchou para Norte à frente das suas tropas. Só a intervenção da mãe, D. Beatriz, conseguiu levar D. Pedro a assinar a paz com o pai meses mais tarde.

Em 1357, morre Afonso IV e sobe ao trono o Infante que de imediato procura vingar-se dos assassinos da sua amada, renegando a promessa feito anos antes ao pai e à mãe.

Em Junho de 1360, declara em Cantanhede, perante testemunhas, que se teria casado secretamente com D. Inês, em 1354, em Bragança legitimando assim os filhos do casal e legalizando o casamento.

Graças a um contrato com o primo, conseguiu a extradição de Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves. Lopes Pacheco, esse, conseguiu fugir para Aragão e finalmente encontrou refugio em França.

Foram entregues ao Rei em Santarém, e este sedente de vingança ordenou a preparação dum banquete enquanto mandava atar os dois prisoneiros a um poste. De seguida ordena ao carrasco que retire o coração pelo peito a Pêro Coelho e pelas costas a Álvaro Gonçalves. Após, consta que mandou trazer cebola e vinagre e trincou o coração de ambos….

Entretanto, o Rei mandou construir em Alcobaça, um belo túmulo destinado a recolher os restos mortais daquela que, segundo ele próprio afirma, terá sido a sua esposa e que queria dignificar depois de morta.

Em 2 Abril de 1361, fez-se a transladação do corpo de D. Inês de Castro do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra para o Mosteiro de Alcobaça, acompanhado por um cortejo de mais de mil homens e mulheres com velas acesas.

Ainda, segundo a tradição, o rei fez colocar o cadáver de D. Inês num trono, colocou-lhe sobre o crânio a coroa real e obrigou todos os nobres, sob ameaça de morte, a beijar a descarnada mão da rainha morta.

D. Pedro faleceu em Janeiro de 1367. No testamento, mandou que o seu cadáver fosse conduzido a Alcobaça e ali colocado no túmulo que mandara construir conjuntamente com o de D. Inês de Castro em 1360, e ainda hoje estão juntos “até ao fim do mundo”.

A visitar… O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça é a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português. A construção iniciou-se em 1178 pelos monges de Cister. As suas peças mais emblemáticas serão os túmulos de D. Pedro e de D. Inês que muito valerem para a classificação do mosteiro como Património da Humanidade pela UNESCO, em 1989.

D. Pedro mandou executar os túmulos por volta de 1360, não se sabendo exatamente a quem atribuir a autoria dos mesmos, mas constituem hoje uma das mais importantes estruturas tumulares da Idade Média ainda existentes.

Os túmulos foram inicialmente colocados no braço sul do transepto da Igreja com os pés virados para nascente, e mais tarde, foram transferidos para a Sala dos Túmulos e colocados frente a frente. Em 1956, foram novamente colocados no transepto, o de D. Inês no braço Norte e o de D. Pedro no braço Sul, tal como, tinha desejado no testamento para que no dia do juízo final quando os dois amantes ressuscitassem se olhassem olhos nos olhos.

O Jacente de D. Pedro representa o rei vestido de traje longo e de espada na mão esquerda, sendo ladeado por anjos que lhe amparam a cabeça e os ombros. Os frontais representam a vida de S. Bartolomeu protetor dos gagos pois consta que D. Pedro era muito gago. O facial da cabeceira representa a Roda da Fortuna, onde foram esculpidas cenas da vida dos dois amantes e a Roda da Vida. O que está escrito na legenda ao fundo do túmulo é ainda hoje objeto de controvérsia mas significaria, segundo Vieira Natividade, “Até ao Fim do Mundo”. O facial dos pés representa a “Boa Morte” de D. Pedro.

Na Jacente de D. Inês esta é honorificada como Rainha com a cabeça coroada e amparada por um baldaquino. Neste túmulo, os dois frontais e o facial da cabeceira representam a vida de Cristo, desde da Anunciação até ao Calvário. No facial dos pés é descrito o Juízo Final com a ressurreição dos mortos no último dia. A arca de D. Inês repousa sobre seis figuras híbridas de animais com rosto humano. Julga-se que representarão os assassinos de D. Inês e as damas da corte que conspiraram contra ela e terão agora de suportar para a eternidade o peso da culpa.

Horário: Verão (Abril a Setembro) – das 09h00 às 19h00;  Inverno (Outubro a Março) – das 09h00 às 17h00

Entrada:  A visita aos túmulos é gratuita.

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