DESTINOS

Por caminhos bem temperados descobrimos pedaços de história a cada passo

Este mês descubra…

Os Sabores do Fundão

Na certeza de que um só ano contém 365 oportunidades de viajar, fica a sugestão rumo ao Centro de Portugal.

Entre as serras da Estrela e da Gardunha existem paisagens de cores únicas que encerram em si lugares mágicos, repletos de castros, templos, castelos, palácios, aldeias históricas e aldeias do xisto. O dia-a-dia das aldeias é ritmado pelas estações. Na Primavera a Gardunha pinta-se de branco, num espetáculo natural sem igual, e os aromas da Páscoa envolvem o ambiente, num conjunto de tradições únicas que decorrem na Quadragésima. O calor do verão amadurece os rubis que são o mote para a celebração da Cereja. A estação termina ao som dos Chocalhos, num festival de homenagem aos caminhos da Transumância e ao mundo pastoril. Chega o Outono e com ele os sabores do pinhal que se transformam em festa na “Mostra de Artes e Sabores da Maúnça”, no Açor e no “Míscaros – Festival do Cogumelo”, no Alcaide. A estação fria do Inverno traz consigo o Azeite novo que se enaltece no Festival da Tibórnia, referência nos roteiros gastronómicos da região.


Fundão

Serra da Gardunha

Janeiro de Cima

Açor

Lavacolhos

Donas

Alcaide

Alcongosta

Alpedrinha

Castelo Novo

Soalheira



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Sabores da Maúnça

Chega o Outono e os sabores do pinhal lançam-nos à descoberta.
Saímos do Fundão, em direcção a Lavacolhos, terra que vive ao ritmo dos seus bombos. Aproveitamos para visitar a Casa do Bombo e desvendar os mistérios deste instrumento musical que marca o carácter de um povo.

Retomamos a viagem serpenteando o rio Zêzere e somos cativados pela beleza do rio que nos guia até à Aldeia do Xisto de Janeiro de Cima. Somos atraídos pelo cheiro das lareiras acesas e pelo som dos teares vindo da Casa das Tecedeiras. Seguimos pelas quelhas e quelhos de xisto que nos levam pelas labirínticas ruas de Janeiro de Cima até o rio. As barcas, lá continuam para assinalar as memórias dos tempos idos, quando eram utilizadas para o comércio ou para unir as populações. A toda a volta da aldeia estendem-se os terrenos agrícolas. Contemplamos o compassar das águas e retemperamos energias. Saímos deste êxtase com a ajuda do aroma a maranhos que flutua no ar.

Fazemo-nos de novo à estrada, em direcção à singela aldeia do Açor. Aqui oferecem-nos os famosos miaus, bolos típicos da região. Para além destes, também nos são oferecidas as filhós, as fatias douradas e muitas mais iguarias de fazer crescer água na boca.

Tivemos a sorte de chegar na altura do magusto. As castanhas estalam debaixo das labaredas vermelhas e laranjas que dançam em plena rua. Nós só podemos agradecer! Não só pelas castanhas assadas, mas como também pelo calor que emana da fogueira, onde o povo se junta para partilhar experiências e estórias. Uma delas conta-nos da existência de um fenómeno misterioso que sucedeu na serra da Maúnça. Num local conhecido como Valados existem duas formas elípticas onde não cresce vegetação alta. Diz a lenda que, ao passar por este local, os soldados franceses assassinaram duas jovens raparigas (as versões divergem entre princesas ou religiosas), tendo-as enterrado ali mesmo. A partir desse acontecimento, a vegetação não voltou a crescer mais, de forma a eternizar a sua memória. É uma lenda curiosa que nos desperta a vontade de encontrar o local.

Sabores da Gardunha – Míscaros

Entramos no coração da deslumbrante Serra da Gardunha pela sempre bela Aldeia do Alcaide. Está um lindo dia de sol! Corre uma leve brisa que parece querer sussurrar-nos por entre a vasta vegetação todos os mistérios encerrados na Gardunha e dos seus fiéis guardiões de Outono, os míscaros! Escondidos entre a caruma e a vegetação, que adormeceu no manto de terra, é deles que vimos em busca.

A aldeia do Alcaide é o local ideal para iniciar a nossa demanda, uma vez que realiza, já há alguns anos, o Festival do Cogumelo. Remexemos o húmus com cuidado, nesta verdadeira epopeia, na descoberta dos cogumelos selvagens. Fazemo-nos acompanhar pela cesta de castanho, que comprámos na aldeia de Alcongosta, num dos cesteiros que na sua oficina transforma a madeira de castanheiro bravo em graciosas cestas. Não é demais relembrar que a apanha de cogumelos só deve ser feita por quem sabe! Não possuindo o conhecimento necessário, somos acompanhados por um engenheiro agrónomo que nos explica as diferenças entre um cogumelo não comestível e um que proporcionará deliciosos pratos para toda a família. Depois de um passeio agradável, e da cesta cheia de bonitos cogumelos silvestres, estamos ansiosos por transforma-los em saborosas iguarias gastronómicas.

Sabores da Castanha

Em tons de vermelho e laranja iniciamos o nosso percurso na aldeia das Donas. Nesta pequena aldeia, descobrimos o património edificado e ficamos encantados com a beleza dos edifícios manuelinos da Casa do Paço e da Capela dos Pancas. Imperdível é a visita ao Museu Domus – Mundi, onde desvendamos o mundo, através dos múltiplos objectos oriundos de vários contextos e geografias contemporâneas.

Depois deste magnífico percurso pela história, partimos numa viagem pelos trilhos da Rota dos Castanheiros (ver aqui). Chegados ao cume da Gardunha deparamo-nos com o sumptuoso e denso Bosque de Castanheiros que nos conduz a um ambiente florestal mágico de uma enorme biodiversidade. Caminhamos mais uns metros e podemos avistar vastos pomares de cerejeiras. Hoje, as cores predominantes são os castanhos e os laranjas, mas conseguimos imaginar este lugar em plena primavera, pintado de branco pela alva flor de cerejeira, ou no verão revestidas de pequenos rubis que fazem as delícias de todos.

Regressamos de novo às Donas e partimos em direção à cidade do Fundão. Nada melhor para retemperar as forças do que saborear um arroz de carqueja e umas deliciosas papas de carolo, num dos muitos restaurantes da cidade. Após forças restabelecidas, vamos à descoberta do Fundão e do seu centro histórico. Destacamos a rua da Cale, que guarda a herança do povo judeu que aqui habitou e desenvolveu o comércio tradicional, o Museu Arqueológico José Alves Monteiro e o Centro de Interpretação Moagem do Centeio, que nos levam em viagens plenas de histórias e de estórias.

Não pode faltar a visita ao posto de Turismo do Fundão onde pode provar o famoso Pastel de Cereja do Fundão, os Bombons de Cereja do Fundão e encontrar artesanato da região. Terminamos a nossa visita da melhor forma, com a ida até à Casa do Guarda, onde participamos num magusto tradicional cheio de sabores do Fundão com a degustação de um conjunto de produtos endógenos como doces, enchidos, queijos e vinhos.

Sabores com História

Na Aldeia Histórica de Castelo Novo sentimos uma sensação de paz e relaxamento à medida que vamos descobrindo a história em plena Serra da Gardunha. As ruas de granito e o som da água, que corre nas levadas, encaminha-nos por locais únicos que contam com mais 800 anos de existência. Os antigos paços do Concelho e o seu austero pelourinho, as fontes de D. João V, os solares das famílias nobres da aldeia e, lá no alto, o imponente castelo, ladeado pelas muralhas, guardam muitas histórias ainda por desvendar. Somos acordados desta nossa viagem pelas fragrâncias que se espalham por entre as pedras de granito. Recomendamos o cabrito assado no forno a lenha e o saboroso arroz doce caseiro.

A rota pelos sabores com história continua… e vamos à descoberta da bela Vila de Alpedrinha. Aqui decidimos deslindar a formosura da Sintra da Beira. Ao entrarmos no coração da vila, deparamo-nos com um conjunto magnífico de solares e de casas tipicamente beirãs, com os seus alpendres enfeitados com flores de todas as cores. Encontramos também muitas capelas que pertenceram à família de um Ilustre alpetriniense, o Cardeal D. Jorge da Costa, famoso conselheiro real, que esteve presente em grandes momentos da história de Portugal – destacando-se a sua presença na assinatura do Tratado de Tordesilhas. Chegamos à igreja Matriz de Alpedrinha e ficamos prendidos à beleza do órgão de tubos que se encontra num lugar de destaque e emblemático da igreja. Seguimos por uma pequena rua e surpreendemo-nos pela magnificência do Palácio do Picadeiro. Entramos e somos agradavelmente recebidos pela guia que nos desafia numa descoberta intensa pelas várias salas do edifício e nos remete para o conhecimento do mundo pastoril do concelho do Fundão, através dos sons, das paisagens e das texturas.

Sabores com Tradição

Nada como apreciar os sabores mais tradicionais de uma região do que indo diretamente aos seus produtores. Apresentamos um roteiro por pequenos produtores dos mais vários produtos endógenos do Fundão. Começamos por visitar um lagar de azeite, que se destaca por ter aliado a tradição à inovação, criando aquele que foi o primeiro azeite com ouro em Portugal. Iniciamos a prova do azeite virgem extra, com um pão caseiro, cozido em forno de lenha. Passamos depois para a prova de um azeite aromatizado com louro, pimenta e, claro, terminamos com o azeite com ouro! O palato agradece estes múltiplos sabores que o invadiram.

Seguimos em direcção à Adega Cooperativa do Fundão. Descobrimos tudo sobre a produção de vinhos da Beira Interior, com o enólogo que nos guia, por entre pipos que guardam o doce néctar. O melhor vem agora. Vamos provar! Na sala de degustação saboreamos vinhos distintos e premiados como os vinhos “Fundanus”, “Praça Nova” ou “Alpedrinha”. Óptimos vinhos para acompanhar um queijo típico do Fundão – o queijo amarelo da Beira Baixa.

Com as sensações despertas para os sabores irreverentes do Fundão, optamos por um piquenique no Parque do Convento, um parque amplo e com tudo o que precisamos para fazer um piquenique sem nos preocuparmos com nada. Os mais destemidos poderão aproveitar o parque para realizar atividades mais radicais como o arvorismo, parede de escalada ou sair de bicicleta para um dos 12 percursos de BTT que a Serra da Gardunha oferece. Quem preferir, poderá ficar pelo parque, a aproveitar o sossego que encontramos neste lugar agradável, óptimo para quem procura relaxar e descansar. Depois do repouso merecido, continuamos na nossa viagem pelos sabores do Fundão.

Vamos até à Soalheira, terra de bom queijo, provar o que as mãos frias dos queijeiros têm para nos dar a saborear. A visita à queijaria começa por colocar as mãos na massa e participar neste ritual ancestral. Após termos trabalhado o queijo e aprendido a arte, passamos à prova do queijo misto de sabor suave e aveludado que se desfaz na boca, passamos a um queijo de ovelha amanteigado que combina bem com uma broa de milho que amavelmente nos colocaram em cima da mesa da prova. Passamos para sabores mais fortes e deliciamo-nos com um queijo de cabra de sabor intenso que pede um vinho robusto, como o “Fundanus” que provámos hoje de manhã, terminamos com o queijo picante, ou queimoso como se diz por aqui, que é um queijo para verdadeiros apreciadores desta iguaria.

365 dias à descoberta

A região do Fundão possui inúmeros atrativos que proporcionam experiências únicas. Demo-lo já a entender ao longo do roteiro, mas ressalvamos que o Fundão é um local belo, rodeado pelas serras da Gardunha e da Estrela, por pomares e floresta. Destacamos:

Rota das Cerejeiras em Flor – Na nossa primeira visita da My Own Portugal ao Fundão, fomos ver as deslumbrantes cerejas em flor. Reveja o nosso roteiro aqui.

Quadragésima – As tradições religiosas da Quaresma são celebradas intensamente no Fundão. A celebração da Paixão, morte e ressurreição de Cristo é um acontecimento central do ano litúrgico para todos os cristãos. Poderá vivenciar todo este espírito através de manifestações religiosas únicas no país, nomeadamente a Procissão dos Penitentes, um acontecimento em que o sagrado e o profano se misturam preconizando um ano agrícola fértil

Festa da Cereja em Alcongosta – Todos os anos, em Junho, Alcongosta pinta-se de vermelho e partilha os sabores deste fruto precioso. Durante o Festival poderá testemunhar o dia-a-dia do trabalho no pomar, percorrer os caminhos da Cereja pelo percurso pedonal da Rota da Cereja (clique aqui) pelos cerejais da Serra da Gardunha. Poderá além de provar as Cerejas em si, fantásticos licores, pasteis doces feitos deste magnifico fruto.

• Chocalhos – Festival dos Caminhos da Transumância– No final do Verão, a Vila de Alpedrinha abre as suas portas convidando a todos a reconstituição e celebração desta prática ancestral que é a Transumância. Um dos momentos altos da festa é a viagem por um dos caminhos da Transumância, ao som dos chocalhos, dos bombos e pífaros. Poderá acompanhar este rebanho e ser pastor por um dia.

• Casas da Floresta – A rede de Casas da Floresta inclui a Casa do Mel (Bogas de Cima), a Casa Redonda (Bogas de Cima), a Casa do Cogumelo (Malhada Velha), a Casa do Bombo (Lavacolhos), a Casa das Tecedeiras (Janeiro de Cima) e a Casa Grande (Barroca). Todas estas casas são pedagógicas e turísticas, mas essencialmente criadas para preservar tradições e modos de produzir artesanais de elevada qualidade. Saber mais aqui.

• Percursos Pedestres – São 12 os percursos pedestres criados na Serra da Gardunha, num total de 140 quilómetros. Cada percurso pode ser concluído num só dia pois todos são inferiores a 30 quilómetros. São traçados ao longo de vários caminhos e trilhos da Serra da Gardunha onde poderá observar a fauna e a flora aqui existentes; (ver todos os percursos aqui)

• BTT – O Fundão oferece 120 quilómetros de trilhos que se dividem por 11 rotas entre a cidade e toda a Serra da Gardunha. O centro de BTT está localizado junto ao parque de campismo do Fundão, no coração do Parque Aventura. (ver todos os percursos aqui)


Informações úteis Fundão Turismo
 Morada: Praça do Município 11-A, Fundão
Telefone: +351 275 779 040
Email: comercial@fundaoturimso.pt
Website: www.cm-fundao.pt

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